Alckmin diz que estudantes da USP precisam de 'aula de democracia'
08 de novembro de 2011  17h22  atualizado às 17h25


Em entrevista aos jornalistas nesta terça-feira, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse que os estudantes que ocuparam a reitoria da USP precisam ter "aula de democracia". Para o governador, "é inadmissível" ter de "chegar ao ponto de a polícia ter que ir lá fazer cumprir um decisão judicial".
"Eu entendo que os estudantes precisam ter aula de democracia, precisam ter aula de respeito ao dinheiro público, respeito ao patrimônio público. Não é possível depredar instituições que foram construídas com dinheiro da população que paga impostos. Precisam ter aula de respeito à ordem judicial. É inadmissível isso, é lamentável que tenha que chegar ao ponto de a policia ter que ir lá para fazer cumprir uma decisão judicial, mas ela já foi feita", afirmou.
Alckmin parabenizou a ação da Polícia Militar na desocupação do prédio. Segundo ele, a PM mostrou novamente "sua capacidade de trabalhar nessas situações de alto estresse". Pelo menos 70 estudantes foram detidos nesta terça-feira, depois que a polícia foi até o local cumprir a reintegração de posse.
Reintegração
A Polícia Militar chegou à universidade e cercou o prédio da reitoria por volta das 5h para cumprir a ordem judicial de reintegração de posse do imóvel. O prazo para a desocupação estipulado pela Justiça já havia se esgotado, e o emprego da força policial estava autorizado desde as 23h.

Inicialmente não houve enfrentamento entre estudantes e os policiais do Batalhão de Choque. Pelo menos três estudantes foram detidos ao tentar furar o bloqueio policial e entrar de volta na reitoria. Os policiais impediram o retorno apenas com os escudos, sem o uso de cassetetes ou bombas de gás.
Histórico
A invasão aconteceu por parte de um grupo descontente com o resultado de uma votação em assembleia que decidiu, na terça-feira, por 559 votos a 458, encerrar a ocupação do prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). O grupo deslocou o portão de trás do edifício da Administração Central, usando paus, pedras e cavaletes, e em poucos minutos chegou ao saguão principal do prédio. A FFLCH havia sido ocupada depois que a PM abordou três estudantes no campus por porte de maconha na quinta-feira da semana passada e tentou levar os usuários detidos. Os policiais usaram gás lacrimogênio, e alunos teriam ficado feridos após confronto.

Fonte: Portal Terra