Mercado de seguros cresce 14,4% no 1º semestre de 2015

A pedido do Sindicato das Seguradoras de São Paulo, o economista Luiz Castiglione realizou um balanço do mercado segurador do primeiro semestre de 2015. Mesmo com a crise, o avanço, comparado com o mesmo período do ano anterior – excluindo o seguro saúde, teve crescimento de 14,4%, saltando de R$ 106,7 bi para R$ 122 bi. Contudo, o que assusta é que excluindo o produto financeiro VGBL / PGBL, temos um volume de vendas da ordem de R$ 68,8 bilhões contra R$ 65,6 bilhões de 2014, um crescimento de 4,8%, chegando a ser inferior à inflação média registrada no período. O segmento de seguros apresentou um crescimento de 5,9 % já o de previdência tradicional uma redução de 0,4% e capitalização um aumento de 1,1% .

Fonte: CQCS

Cortes no Sistema S comprometeriam atendimento a mais de 2,7 milhões de alunos e trabalhadores do SENAI e SESI

Em visita ao Senado, nesta terça-feira (22), presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, defendeu também cautela na discussão de propostas que elevem os gastos públicos em detrimento da disciplina fiscal


A proposta de cortes de 30% nos repasses ao Sistema S, em estudo no governo federal, pode comprometer o atendimento a 1,2 milhão de alunos do ensino profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e 1,5 milhão de trabalhadores pelo Serviço Social da Indústria (SESI), nos programas de educação, saúde e segurança do trabalho e qualidade de vida. O alerta foi feito nesta terça-feira (22), pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, em visita ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O tema ainda será debatido pelo Congresso Nacional.

Durante o encontro, Andrade destacou que um eventual corte nos recursos afetará, sobretudo, a estrutura do SENAI e SESI nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, pelo fechamento de escolas e pela fim da gratuidade atualmente oferecida. Confira abaixo os principais trechos da entrevista concedida pelo presidente da CNI, em que ele defendeu reformas estruturais, como a da Previdência e a administrativa, e a responsabilidade fiscal na discussão de propostas que elevam os gastos públicos:

SISTEMA S
“Tratamos, principalmente do SESI e do SENAI, mostrando a importância que esse sistema tem para a educação e para a qualificação profissional do país. O SENAI acaba de ser classificado como a melhor escola do mundo, como mostra o resultado da olimpíada (aWorldSkills 2015, em São Paulo), em que competimos com alunos da Coreia do Sul, China, Alemanha, e de todos os grandes países. 

O SENAI hoje está transferindo tecnologias para escolas de fora do Brasil. Não podemos acabar com isso. A proposta que foi ventilada realmente vai trazer grandes sacrifícios para o SENAI e para o SESI, provavelmente com fechamento de escolas nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Provavelmente, com muitos alunos deixando de ter a educação profissional que hoje lhes é oferecida e de maneira gratuita.”


POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS DO CORTE

“O SESI e o SENAI recolhem, por ano, R$ 7,9 bilhões. Nós temos, com a gestão séria que fazemos, o suficiente para dez meses de salários e despesas para manter o sistema funcionando. Se você tira 30% dos recursos, principalmente os estados de Norte, Nordeste e Centro-Oeste não têm como sobreviver. Isso porque o volume maior das nossas receitas está concentrado nos estados de Sul e Sudeste, que têm muito de seus recursos destinadas para cobrir as necessidades das outras regiões. 

O presidente Renan conhece o sistema, entende nossas dificuldades e os problemas que nós enfrentaríamos. Ninguém quer deixar de atender 1,2 milhão de alunos e 1,5 milhão de trabalhadores, que é o que iria acontecer. Hoje estamos negociando também com a Casa Civil e o ministro Aloizio Mercadante, juntamente com o ministro Armando Monteiro (do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), um entendimento que possa resolver esse assunto sem que haja prejuízos grandes para o Sistema S, mas que também ajude a União e o governo a minorar os problemas que têm de caixa.”

RESPONSABILIDADE FISCAL

“Falamos bastante dos vetos aos projetos que a presidente (Dilma Rousseff) devolveu ao Congresso Nacional, da importância de que esses vetos sejam mantidos. O país está passando por uma dificuldade muito grande e, independentemente do mérito de um ou outro projeto ou aumento de despesa, nós entendemos que o país não pode, de maneira alguma, aceitar qualquer tipo de aumento de custo. Estamos extremamente fragilizados.”

IMPOSTOS E CPMF

“Somos completamente contra o aumento de impostos. Achamos que a sociedade já paga muitos impostos e que, devido a isso, nossos produtos não são competitivos com produtos importados. Somos contra aumento, qualquer que seja ele.

Somos contra (a CPMF) porque quem paga o custo do imposto é a sociedade e entendemos que já se paga muitos impostos. Chegou a hora de o governo não, simplesmente, adotar pequenas alternativas que possam minorar o problema por pouco tempo. O governo tem que fazer reformas grandes. O Brasil, os empresários, a sociedade estão clamando por isso. Os movimentos sociais querem mudanças, e mudanças definitivas. Não apenas pequenos remendos que podem dar um pouco de recurso no caixa para atravessar alguns meses.”

REFORMAS ESTRUTURAIS

“Achamos que no governo, no Congresso, estamos num momento muito oportuno para fazer as reformas duras, difíceis. Talvez com sacrifícios da sociedade, das empresas e dos políticos. Mas são reformas que precisam ser feitas de maneira definitiva para o Brasil. A questão da reforma da Previdência, uma reforma administrativa séria e coerente. Reformas que possam colocar o Brasil com uma perspectiva de futuro de desenvolvimento e de crescimento condizente com o tamanho do nosso país. É preciso fazer com que a gente recupere a autoestima, mas também a capacidade de investir e gerar emprego e renda. Isso só vamos conseguir se fizermos agora as reformas que são importantes e difíceis.”

Por Guilherme Queiroz
Foto: Miguel Ângelo

Campanha contra o confisco do Sistema "S"

A campanha tem tomado corpo e tem recebido o apoio de muitas entidades empresariais. O Sistema "S" tem apelado pelo o apoio de todos para ser salvo; ele colabora com a educação, saúde, qualidade de vida dos trabalhadores e comunidade que precisa e o governo não pode proporcionar.

Com a redução da arrecadação destinada ao Sistema “S”, proposta pelo Congresso Nacional, os trabalhadores da indústria e a comunidade em geral no Brasil, sofrerão, pois não terão quem os apoie nos serviços de educação, saúde e vida saudável.

As escolas do SESI também podem acabar, caso haja a redução compulsória. O SESI e o SENAI preparam anualmente milhares de jovens para o Mercado de Trabalho, graças à arrecadação destinada ao sistema. Além do prejuízo as unidades do SESC, SENAC, SENAR, SEST, SENAT, SEBRAE.... E todos os outros órgãos do Sistema S que tanto contribuem para o desenvolvimento do País. Com serviços de educação, saúde e qualidade de vida. 

# O que o SESI faz: 

Criado em 1º de julho de 1946, o Serviço Social da Indústria (SESI) tem como desafio desenvolver uma educação de excelência voltada para o mundo do trabalho e aumentar a produtividade da indústria, promovendo o bem-estar do trabalhador. O SESI oferece soluções para as empresas industriais brasileiras por meio de uma rede integrada, que engloba atividades de educação, segurança e saúde do trabalho e qualidade de vida. 

Na busca pela competitividade, a indústria precisa superar desafios como a elevação da escolaridade do trabalhador, a redução dos afastamentos do trabalho e a adoção do estilo de vida saudável. Em sintonia com a realidade e as necessidades da indústria nacional, a rede de escolas do SESI tem por objetivo preparar os jovens para o ambiente profissional e reforçar sua formação básica e continuada, utilizando modernas tecnologias educacionais. 

Para diminuir o índice de afastamentos do trabalho e estimular um estilo de vida saudável para os industriários, o SESI oferece programas de promoção de segurança, saúde e qualidade de vida, com soluções para atender as demandas da indústria e aumentar sua produtividade, desempenhando papel decisivo para o fortalecimento do setor industrial e o desenvolvimento sustentável do Brasil. 

- O SESI em números 

Em 2014: 
  • Cerca de 2,2 milhões de matrículas em educação 
  • Mais de 1,7 milhão de matrículas em cursos de educação continuada 
  • Mais de 1,4 milhão de participantes de ações educativas 
  • Mais de 3,2 milhões de pessoas beneficiadas com Programas em Saúde e Segurança no Trabalho e Serviços em SST 
  • Mais de 3,4 milhões de pessoas beneficiadas por contratos de Lazer Ativo - Esporte e Ginástica na Empresa 
  • Mais de 1,3 milhão de pessoas atendidas pela Campanha SESI de Vacinação contra a gripe, hepatite B, febre amarela, antitetânica e tríplice viral 
  • Cerca de 3,6 milhões de participantes e expectadores em eventos culturais 
  • Mais de 2,1 milhões de atendimentos prestados em ações comunitárias 


# O que o SENAI faz: 

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) é um dos cinco maiores complexos de educação profissional do mundo e o maior da América Latina. Seus cursos formam profissionais para 28 áreas da indústria brasileira, desde a iniciação profissional até a graduação e pós-graduação tecnológica. 

As ações de qualificação profissional realizadas pelo SENAI formaram 64,7 milhões de trabalhadores em todo o território nacional, desde 1942. Esse resultado só foi possível porque o SENAI aposta em formatos educacionais diferenciados e inovadores, que vão além do tradicional modelo de educação presencial, em suas 518 unidades fixas e 504 unidades móveis em 2,7 mil municípios brasileiros. O SENAI também capacita e forma profissionais em cursos a distância, que estão à disposição do estudante 24 horas por dia, sete dias por semana. 

Um exemplo das ações móveis do SENAI são os barcos-escola Samaúma I e II, que percorrem os rios da Amazônia e levam formação profissional aos moradores das cidades ribeirinhas. 

Além de oferecer educação profissional de qualidade para os brasileiros, o SENAI, em parceria com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, opera oito centros de formação profissional no exterior - em Angola, Cabo Verde, Guatemala, Guiné Bissau, Jamaica, Paraguai, São Tomé e Príncipe, Timor Leste - e um centro de tecnologia ambiental no Peru. 

O SENAI também estimula a inovação da indústria por meio de consultoria e incentivo às ações das empresas com o desenvolvimento de pesquisa aplicada e serviços técnicos e tecnológicos que são decisivos para a competitividade das empresas brasileiras. 

O SENAI em Números: 
  • 64,7 milhões de profissionais qualificados para o trabalho entre 1942 e 2014; 
  • 3,6 milhões de matrículas anuais em educação profissional; 
  • 2,7 mil municípios em todo o país; 
  • 109 mil serviços técnicos e laboratoriais realizados; 
  • 8 centros de formação profissional no exterior, além de um centro de tecnologia ambiental.

Uma fábula de improdutividade

por Marcos Mendes


João é inteligente e nasceu numa família de classe alta. Estudou em boas escolas e entrou para uma universidade pública, gratuita, no curso de Engenharia. Formado, viu que os melhores salários iniciais de engenheiros estavam em R$ 5 mil. Fez concurso para um cargo de nível médio num tribunal: salário de R$ 9 mil mais gratificações, aposentadoria integral, estabilidade, expediente de seis horas. O contribuinte custeou a formação de um engenheiro e recebeu um arquivador de processos sobrerremunerado. Amanhã João estará em frente ao Congresso, com seus colegas, todos em greve por aumento salarial. Não terá o dia de trabalho descontado nem se sente remotamente ameaçado de demissão.

Pedro não tem muito talento intelectual. Mas sua família pôde pagar uma boa escola, o que lhe garantiu uma vaga num curso não muito concorrido em universidade pública. Carente de habilidades acadêmicas, Pedro não se adaptou e mudou de curso duas vezes, deixando para trás centenas de horas-aula desperdiçadas e duas vagas que poderiam ter sido ocupadas por outros estudantes que jamais terão acesso àquela universidade. Foi fácil desistir dos cursos, pois Pedro nada pagou por eles.

Após oito anos na universidade, Pedro finalmente se formou em Biologia. Sonha em ter um emprego igual ao de João. Entrou num cursinho preparatório para concursos públicos. Lá conheceu centenas de jovens formados em universidades públicas que, em vez de irem para o mercado de trabalho aplicar os seus conhecimentos, estão em sala de aula decorando apostilas para conseguirem um emprego público.

Jorge, o dono do cursinho, é um brilhante advogado que poderia contribuir para a sociedade redigindo contratos empresariais. Mas descobriu que ganha mais dinheiro preparando candidatos ao serviço público.

Um dos professores do cursinho de Jorge é Manuel, que também abandonou sua formação universitária e mudou de ramo. Ao perceber que jamais exercerá a profissão original, ele pediu desfiliação do respectivo conselho profissional.

Mas não consegue, porque Márcia, funcionária daquele conselho, tem como missão criar todo tipo de dificuldade às desfiliações e manter em dia a arrecadação compulsória. Manuel desistiu e vai pagar a contribuição pelo resto de sua vida profissional, ainda que não se beneficie em nada e pouca satisfação seja dada pelo conselho profissional acerca do uso desse dinheiro.

As limitações acadêmicas de Pedro o impedem de ser aprovado em concurso público. Ele vai ser um medíocre professor numa escola de ensino fundamental de segunda linha (pública ou privada), oferecendo ensino de baixa qualidade às novas gerações das famílias que não podem pagar por uma escola melhor. Pedro só conseguiu essa vaga porque há uma reserva de mercado: por lei, as escolas de ensino fundamental só podem contratar professores com diploma de nível superior. Fosse permitido contratar universitários, diversos graduandos em Biologia mais talentosos e motivados que o diplomado Pedro estariam em sala de aula, oferecendo boas aulas às crianças.

Antônio é tão brilhante quanto João. Daria um excelente engenheiro, mas nasceu em família pobre e estudou em escola pública. Teve professores limitados, no padrão de Pedro, e a desorganização administrativa da escola piorava as coisas: muitas vezes não havia professores em sala. Falta com atestado médico não dá demissão.

Antônio até conseguiu passar no vestibular de Engenharia em universidade pública, pelo sistema de cotas, mas sua formação deficiente em Matemática foi uma barreira intransponível. Abandou o curso, deixando mais horas-aula perdidas e mais uma vaga ociosa na conta dos contribuintes.

Antônio, porém, é empreendedor. Não se abalou com o insucesso universitário, aprendeu a consertar eletrônicos por meio de vídeos no YouTube. Montou um pequeno negócio de manutenção de smartphones e computadores. Seu talento poderia torná-lo um grande empresário. Mas para crescer ele precisa transferir sua empresa do regime de tributação Simples para a tributação normal, pagando impostos muito mais altos, porque o governo precisa de muito dinheiro para pagar altos salários, para custear a universidade gratuita que desperdiça vagas e para sustentar escolas públicas que não dão aula, entre outras despesas. Mesmo assim, o governo permanece em déficit e toma empréstimo para se financiar, aumentando a taxa de juros. Com impostos altos e crédito caro, Antônio prefere manter seu negócio pequeno. A grande empresa e seus empregos morreram antes de nascer.

Chico é um líder talentoso. Dirige uma central sindical que congrega os sindicatos dos companheiros do Judiciário e dos professores, entre outras categorias. Chico está em frente ao Congresso Nacional apoiando a greve de Pedro por melhores salários. Faz um discurso contra os neoliberais, que só pensam em cortar gastos públicos e arrochar os trabalhadores. Chico não tem muito do que reclamar (embora, como líder sindical, a sua especialidade seja, justamente, reclamar): além da remuneração paga pelo sindicato (e custeada pelo imposto sindical, cobrado obrigatoriamente dos contribuintes), ele está aposentado pelo INSS desde os 52 anos de idade. Até o fim da sua vida receberá muito mais do que contribuiu para a Previdência.

Nenhum dos personagens acima citados tem comportamento ilegal. Eles jogam o jogo de acordo com as regras que estão postas. O erro está nas regras. Mudá-las requer superar as dificuldades das decisões coletivas. Não mudá-las implica continuar com talentos profissionais e dinheiro público mal alocados, empregos improdutivos, potenciais inexplorados, gasto público excessivo, oportunidades perdidas, incentivos errados. Uma fábula de improdutividade.


*Marcos Mendes tem graduação, mestrado e doutorado em economia, custeados pelos contribuintes, em universidades públicas. Não se anuncia como ‘economista’, pois não é filiado ao conselho regional de economia e não quer ser processado por isso. É servidor público bem remunerado.