Zona de conforto mesmo quando é ruim é aconchegante e sedutora! Mas esse conforto pode estar impedindo você de alcançar seus objetivos profissionais e pessoais. Este artigo aborda o que é zona de conforto, como funciona e dá dicas para sair dessa armadilha.

Afinal, o que é zona de conforto?


De acordo com os preceitos da psicologia, zona de conforto são ações e pensamentos que temos no modo piloto automático, isto é, eles já se tornaram tão confortáveis que não causam nenhum tipo de sensação ruim como medo, ansiedade ou riscos. Ao repetir esses comportamentos nosso consciente nos transporta automaticamente para um lugar dentro de nós onde sentimos segurança física e emocional. É uma zona de “não risco”. Pode ser um comportamento negativo, mas pelo fato de já o conhecermos nos dá a falsa sensação de controle e conforto.

Podemos comparar a zona de conforto com o útero da nossa mãe. Durante o tempo que estivemos lá não sentimos medo, dor, frio, calor e tivemos todas as nossas necessidades básicas garantidas. Alguns estudiosos dizem que a zona de conforto nos remete ao útero materno.

Mas essa “proteção” nos impede de crescer. Já pensou que se tivéssemos ficado no útero materno mais do que 42 semanas não teríamos história para contar. E mesmo que quiséssemos ficar, a natureza teria nos empurrado para fora. Essa é a primeira zona de conforto da qual aprendemos a sair.

Então já sabemos o caminho da saída, a rota de fuga. Agora precisamos identificar, planejar como sair e saber o que pode ser feito depois.

1º. Passo – Identificar

O que pode ser considerado uma zona de conforto?

  • Ficar acomodado em uma atividade profissional que não faz você vibrar e acordar todas as manhãs cheio de energia realizadora;
  • Visão estreita - Falta de motivação para empreender ou se aperfeiçoar na sua área de trabalho;
  • Não inovar - Cultivar hábitos que não permitem que você experimente coisas novas;
  • Cultivar pensamentos desestimulantes – “não vai dar certo”, “é tarde demais para isso”, “não consigo”, “não tenho jeito para aquilo”;
  • Automatismo - Trabalhar com base em “receitas de bolo” e tratar as demandas com padrões pré-estabelecidos;
  • Apatia – acomodar-se em crenças limitantes e usá-las como desculpa para não tomar atitudes;
  • Fobia social - almoçar sempre nos mesmos lugares, com os mesmos colegas e fazer sempre as mesmas coisas.

Segundo o escritor e médico escocês A. J. Cronin, no livro Quem Mexeu no Meu Queijo "A vida não é um corredor reto e tranquilo que nós percorremos livres e sem empecilhos, mas um labirinto de passagens, pelas quais nós devemos procurar nosso caminho, perdidos e confusos, de vez em quando presos em um beco sem saída".

Por isso, não tenha medo de novidades e desafios. Um novo formato de trabalho pode ser bem estimulante.

2º passo – Cair na real

Causas mais frequentes que nos faz permanecer na zona de conforto
  • Preguiça;
  • Falta de energia, apatia, depressão, falta de motivação;
  • Receio de enfrentar os próprios medos - medo do desconhecido, dos riscos, das incertezas, do que pode acontecer, de perder o controle ou do que os outros vão pensar sobre nós;
  • Acreditar que precisamos de algo “seguro” para mudar – fazer um pé de meia, ter um novo companheiro(a), terminar a faculdade;
  • Soberba - quando ele não sente necessidade de aprender nada ou de aprimorar-se, por achar-se pronto, “brilhante” e perfeito (“síndrome do copo cheio”);
  • Miopia - quando não se têm claros os impactos e as consequências de algumas atitudes e comportamentos em nossas vidas, no médio e longo prazos.

3º. Passo – Sair


Rota de fuga. Como sair dessa?

Sair da zona de conforto significa que precisamos operar uma significativa mudança interior. É um processo de transição que inicia com a negação da situação, passando pela resistência às mudanças, aceitação da necessidade de mudar e, finalmente, a aceitação do compromisso consigo próprio.

A tarefa não é nada simples pois envolve crenças, memórias, sentimentos e emoções profundas. A mudança verdadeira somente acontece quando determinamos o fim de uma fase, de um processo ou de algo que tínhamos como seguro ou certo – como um emprego que não nos serve mais, por exemplo.

Por que sair da zona de conforto?

As fronteiras criadas pela zona de conforto (que nós mesmos criamos) representam uma barreira psicológica que nos impede de encarar novos desafios e melhorar a nossa qualidade de vida.

É como se existisse uma voz dentro da nossa cabeça que dissesse: “É perigoso”, “Pense bem”, “Depois não vai dar pra voltar”, “Você já tentou antes e não deu certo” e a pior delas “Você não é capaz”!!! Estamos dominados pela auto sabotagem e precisamos de uma boa estratégia para nos livrar dela.

Dicas para sair da zona de conforto

  1. A primeira coisa é mudar totalmente nosso modo de pensar;
  2. Encare seus medos (citei acima no item 3 do 2º passo);
  3. Aceite quando as coisas não saírem do seu jeito, e elas dificilmente sairão, mas deixe para lá;
  4. Curta o desconhecido – sinta-se excitado por não saber o que vai acontecer depois. É uma mistura de expectativa e ansiedade que, ao mesmo tempo, faz seu coração vibrar;
  5. Faça alguma coisa que você nunca fez antes - aprenda a tocar um instrumento musical, um novo idioma, escreva um blog, faça parte de alguma comunidade, escreva um livro, pratique uma atividade física ou um hobby;
  6. Coloque um novo projeto em ação - desenvolva sua capacidade de iniciativa;
  7. Posicione-se – em rodas de conversas dê a sua opinião, fale o que você pensa e sente;
  8. Saia da sua rotina até mesmo nos detalhes – ouça estilos musicais que nunca ouviu, durante os trajetos observe as pessoas e paisagens.

De acordo com Phil Stutz e Barry Michels “a suposta finalidade da Zona de Conforto é manter sua vida segura, mas o que realmente faz é manter sua vida limitada”.

Os autores do “O Método” - entre os mais vendidos do New York Times - desenvolveram 5 ferramentas que impulsionam as pessoas a agir e a transformar, de forma eficaz, obstáculos em oportunidades e assim encontrar coragem, disciplina, auto expressão, lucidez para lidar com seus sentimentos e criatividade. São elas:

1ª. A Inversão do Desejo ajuda o indivíduo a sair da zona de conforto, de maneira a encarar a experiência da dor e superá-la

2ª. O Amor Ativo é usada quando a raiva aprisiona uma pessoa no que denominam labirinto de negatividade. Envolve a criação e a transmissão de amor como resposta

3ª. A Autoridade Interior faz com que se abrace a sombra interior, libertando o eu natural em vez de enclausurá-lo em insegurança. Quando se está tomado de preocupações, ansiedade e negatividade

4ª. O Fluxo do Agradecimento mantém cada um no momento presente, conectando o indivíduo à força positiva fundamental do universo

5ª. O Risco fornece a força de vontade para que o indivíduo não se desvie do caminho

Acredite que ao sair da zona de conforto podemos realizar coisas incríveis. É possível ficar completamente satisfeito com o trabalho, com a saúde, com a companhia, com os amigos, enfim, com a vida.

Ao sair da zona de conforto você vai pensar: “Como pude ficar lá tanto tempo? Tudo depende de você!

Termino com uma frase do gênio da tecnologia, Bill Gates:
"Tente uma, duas, três vezes e se possível tente a quarta, a quinta e quantas vezes for necessário. Só não desista nas primeiras tentativas, a persistência é a amiga da conquista. Se você quer chegar onde a maioria não chega, faça aquilo que a maioria não faz”


Autor: Catarina Pierangeli - jornalista pós-graduada (lato sensu) em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais com mais de 25 anos de atuação no mundo corporativo e algumas passagens pela grande imprensa. Atualmente é consultora e diretora executiva na dmelo comunicação convergente onde alia a experiência adquirida na comunicação integrada à comunicação digital profissional para empresas e pessoas. É produtora de conteúdo on e off-line, para o Canal LinkedIn Pulse, Superstorm e Clic daNotícia. 
Contato: catarina@dmelocomunicacao.com.br